Web: meu bem, meu mal

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Hoje, duas conversas durante a caminhada tocaram num assunto recorrente.

Dupla de mães n.o 1: uma delas dizia que quando sua filha era mais nova a levava nas aulas de vôlei, mesmo de ônibus; e que agora (não sei ao certo a idade da filha), a menina não queria mais saber do vôlei, nem de fazer qualquer atividade física, nem mesmo gostava da aula de educação física! Só queria mesmo era “computador, computador, computador, o dia todo”…

Dupla de mães n.o 2: uma das mães se queixava que seu filho tirou notas baixas nas provas, e que o pai como castigo lhe tirou o Ipod durante o fim de semana. Esse era o maior castigo do garoto!

O que acontece com as crianças hoje em dia? Não querem mais fazer esportes, não estudam o número de horas necessário, tudo por conta do fascínio viciante que a Internet desperta – seja para navegar, jogar, fofocar, saber da vida alheia e expor a própria. Muitos adultos estão sucumbindo a esse fascínio também, vide o aumento de pessoas sedentárias, com problemas de visão, tendinite e afins.

Não há como negar as vantagens da web, este post não teria espaço para enumerar tantas…, mas acho que precisamos estar atentos ao que acontece com as crianças e adolescentes – é preciso criar interesse por tarefas manuais, hobbies, brincadeiras, esportes, danças e jogos não-virtuais, para que eles não virem no futuro aqueles personagens da nave espacial do filme Wall-E, aqueles gordinhos que não levantavam pra nada e viviam na maior ‘mordomia’…, acho muito triste!

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Boca-a-boca

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De duas donas-de-casa que caminhavam na minha frente: se queixavam do trabalho ‘do lar’, da faxina, de como ‘arrumação da casa não tem fim’, e outros chavões. Uma delas se queixava de dor nas costas, de tanto ter trabalhado na limpeza doméstica, no dia anterior.

Ao mesmo tempo, dava conselhos para a outra – “Você já usou a cera..x?”, a outra não tinha usado….  “É ótima”, dizia, “…o piso não fica grudando, deixa brilhoso e tem um cheirinho muito gostoso”. E a amiga: “É mesmo? Vou experimentar”.

Eureka! Eu estava presenciando ao vivo e em cores a construção de uma marca. Os fabricantes sabem disso, mas talvez não tenham a consciência de como esse veículo é poderoso!

Philip Kotler em seu compêndio famoso (na faculdade tivemos que comprar, 3 volumes caríssimos na época!!) resume que o sucesso de um produtos depende de 4 ‘P’s: Produto, Preço, Ponto de Venda e Promoção. Eu acrescentaria mais um: o PÉ DO OUVIDO!! Porque é ali, exatamente ali, no pé do ouvido da vizinha que a dona-se-casa líder convencia a outra a comprar a tal cera. Claro que a sustentação da marca será influenciada pelos outros ‘P’s…para se tornar fiel, ela precisa gostar do produto, achar para comprar e poder pagar seu preço. Mas sem dúvida, foi a vizinha quem detonou o ‘trial’.

Por isso, como se diz – “A propaganda é alma do negócio”…

Jovens e Escolhas

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De um casal de amigos que caminhava na minha frente: deviam ter cerca de 35 anos, e ambos haviam feito Direito. Ela se queixava por não ter acabado a faculdade e explicava: “Eu quis agarrar o mundo, e não consegui”, segundo ela, trabalhava de dia e estudava à noite, estudava não, dormia na sala de aula…, além do mais, não gostava da matéria!

Ele compactuava e contava quando fez cursinho também dormia nas aulas, menos na do jornalista Heródoto Barbeiro, cuja forma de dar aula era contando histórias…

Enfim, falavam de como quando se é ‘jovem’, na ânsia de fazer muitas coisas, acaba-se não fazendo nada direito… Normal? Contingência? Culpa de quem? Penso nos jovens de hoje e sinto um pouco de pena, tanta pressão, tantas expectativas criadas pela sociedade, pela família, e por ele mesmo!

Ele tem que ser o melhor, o mais bonito, magro, ganhar bem, e de preferência ser popular! Tem que sobretudo escolher uma carreira ‘de sucesso’ – como se escolher uma carreira por si só garantisse esse patamar. É muito duro fazer uma opção – que em tese vai ser para o resto de sua vida – quando se tem 17 ou 18 anos.

A diferença é que hoje os jovens mudam muito, começam uma coisa, depois fazem outra, param a faculdade no meio do caminho…, no ‘meu tempo’ não era assim; os pais faziam um baita sacrifício pra pagar a faculdade e a gente tinha que aguentar até o fim, o objetivo era conseguir o diploma. Aliás…não sei pra quê, o meu nenhuma empresa nem cliente nunca pediu, tá no canudo até hoje. A faculdade me deu outras coisas boas – senso crítico, amigos, horizontes.

O que é melhor? Acho que nenhuma das alternativas é boa, devia existir um caminho do meio – ao jovem poderia ser dado um pouco mais de tempo para amadurecer e reconhecer seus talentos; a ordem devia ser inversa – primeiro trabalhar, ganhar $ e depois estudar e se aprimorar no que a gente gosta de fazer…aí seria o mundo ideal!

Alguém tem alguma sugestão?

Hemograma, a nova identidade

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Conversa nas barras de alongamento: de um lado, um senhor de boa aparência com cerca de 60 anos, a quem chamarei de ‘veterano’, de outro lado o ‘calouro’, um senhor de origem humilde, acompanhado da esposa.

O veterano tentava encorajar e estimular o calouro a caminhar, o qual pelo visto era novato nessa prática. E os dois falavam dos conselhos médicos, e de seus índices de colesterol, glicemia, pressão e afins. O primeiro se gabava de ter emagrecido 10 Kg em 1 ano de caminhada, e o segundo se mostrava um pouco reticente, visto que estava ali obrigado pelo médico e pela mulher que revelava em alto e bom som os índices de seu marido…’o colesterol dele está…!’, ‘a triglicerides está normal..’, e assim ia a conversa.

É curioso, mas hoje – muito provavelmente depois de uma certa idade, talvez 40, talvez um pouco menos – o que parece valer mais na apresentação de um cidadão são seus índices de colesterol e glicemia, do que seu estado civil, origem, ou local de moradia….

Então, tenha seu hemograma sempre à mão…, quando conhecer uma pessoa nova vá logo dizendo: ‘Prazer, eu sou fulano, pressão 12 por 8, 86 de glicemia e 180 de colesterol total, mas o HDL está ótimo!’ Isso já vai te avalizar como uma pessoa bacana, que se cuida e se alimenta bem…hehe!

Batata, a vilã da vez

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Comentários da praça: a conversa era sobre o filho de uma das mulheres, que segundo ela só gosta de comer batata assada no micro-ondas, com bastante requeijão e manteiga derretida…bem calórico! E a mulher estava preocupada mas costumava fazer para ele, porque afinal, era só o que o rapazinho parecia gostar de comer…

E a vizinha rebatia – ‘Olha, cuidado com o colesterol, com a diabete, batata tem muito carbohidrato, que se transforma em açúcar’.

Essa micro-conversa que ouvi me leva a algumas perguntas:

1. Por que é tão difícil manter uma alimentação saudável para as crianças hoje? Será que é assim para todos? Que tipo de mãe consegue imprimir um menu saudável, e qual não consegue?

2. Como manter as crianças imunes às influências da mídia e das ofertas do fast-food?

3. Por outro lado, hoje as pessoas são bombaderadas com muita informação sobre alimentação, há zilhões de revistas – caras e baratinhas – e programas de TV sobre culinária, alimentação, saúde…, portanto TODO MUNDO sabe que esse não é o tipo de alimentação saudável para uma criança, e fecha os olhos? Por comodidade? Por falta de criatividade? Falta de dinheiro?

Acho que as escolas deveriam ter programas para os pais sobre como manter uma alimentação mais saudável para as crianças..

 A imagem é tentadora…, mas a longo prazo…  

Perfil dos caminhantes

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Para começar, acho que vale à pena dar um ‘overview’ sobre o tipo de público que encontro na minha caminhada.

Basicamente são senhoras numa faixa de 40 a 60 anos, e homens barrigudos na faixa dos 60-70; a maioria fortinhos e com aqueles pneuzinhos inconvenientes, saltando na cintura pra fora do fuseau…; imagino que estão ali por alguma recomendação médica, por influência dos programas de TV, ou simplesmente porque a vizinha falou que é bom caminhar…

Mas também há pessoas mais jovens, de ambos os sexos, malhando, correndo, se esforçando para emagrecer ou manter a forma. No horário que vou, pela manhã, não há crianças, mas há alguns idosos que vão caminhar de bengala, às vezes sós, às vezes com acompanhantes.

Tem:

– a turma das vizinhas, andam sempre de 2 ou 3, e falam o tempo todo (eis uma boa fonte de informação..)

– a colônia nipônica, senhoras em duplas, senhores, casais, todos com aqueles chapeuzinhos engraçados (esses caminham mudos, com sorrisinhos enigmáticos)

– a turma dos cachorros; uns apenas levam o pet para fazer suas necessidades, outros para o coitado correr junto, se esguelando na coleira; uns ficam quietinhos esperando o dono fazer exercício, lindinhos de dar gosto, outros escandalosos, latem, querem brigar…that’s life!

– há tipos característicos, como o idoso malhado metido a popular com as ‘garotas’, a turma dos abdominais, o senhor que corre de havaiannas, e aqueles que fazem alongamentos desastrosos, que deixam qualquer hérnia de disco stressada…

Este é o local, é uma pracinha bem agradável, mas como todas as praças públicas, está judiada, com mato e um pouco de lixo, acho que vou ligar para a Prefeitura mandar a limpeza…

 

Bem-vindos!

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Não se enganem, este não é um blog de fofocas de celebridades, apesar do nome…, mas um registro das questões que estão na boca de pessoas comuns, como a gente, como o seu vizinho aí do lado. Podemos até chamar de ‘tendências’, ‘assuntos da moda’, o que está ‘rolando na boca do povo’.

As reflexões aqui são fruto do que eu tenho ouvido nas minhas caminhadas matutinas, aqui no bairro. Moro num bairro da periferia de São Paulo, e vou (quase) todas as manhãs caminhar num parque popular. Passando pelas pessoas, sempre escuto alguma coisa, é inevitável, é uma reclamação, uma preocupação, uma história, dividida entre amigas/os caminhantes. São semi-histórias, frases soltas, mas que me levam a reflexões, são temas que estão aí, presentes no cotidiano. É um escutar ‘de ascensorista’, muito parecido com o que esses profissionais desfrutam. Tem seu lado de humor também, de non-sense, e é isso que faz a vida ser divertida.

Outras reflexões serão fruto apenas da minha observação, e fica sempre a abertura para o comentário do leitor. Um blog extremamente democrático! Participem e acompanhem minhas histórias. Elas são reais!!